11/03/2010

Pedras, cimento e cal amontoados aleatoriamente não fazem uma casa.

Kaká, sem compreender como deu errado.

O Real Madrid seguiu o exemplo do novo-riquismo. Inventou dinheiro e saiu comprando futebolistas sem perguntar o preço. Nada demais nisso, pois geralmente os mais caros futebolistas são os mais competentes com a bola.

Mas, geralmente não quer dizer sempre. E, a reunião dos mais caros também não quer dizer a melhor equipe. Eis que o Madrid não tem êxito na Uefa e fica estupefato, como se se perguntasse: meu Deus, como pode dar errado?

Ora, deu errado simplesmente porque a regra do quanto mais caro, melhor,  não é uma verdade absoluta!

11/03/2010

Habeas Pinho, de Ronaldo Cunha Lima. O poeta só poetando.

Ronaldo Cunha Lima é um político paraibano, originário de Campina Grande. Mas, não é de política que se fala aqui, é de poesia. Porque ele também faz versos, inspirados nas motivações populares e regionais. O poeta poetando é melhor que o político politicando.

Conta-se que, um dia, ou uma noite, reuniam-se boêmios campinenses em torno de canções, bebida e um violão. Por alguma razão, achou-se que o convescote ofendia moralidades silenciosas e os cantadores e o violão foram presos. Os trovadores populares obtiveram a liberdade rapidamente, mas o pobre instrumento de cordas permaneceu detido!

Ronaldo, então, interpôs a famosa ação judicial liberatória, em favor do violão, e o fez em versos, chamando-a de Habeas Pinho. É inegavelmente bela, essa trova de inspiração singela. O violão foi solto, por um juiz também poético.

Senhor Juiz.
Roberto Pessoa de Sousa

O instrumento do “crime”que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam  a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno acoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.

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11/03/2010

Spy vs Spy – Retaliação brasileira aos EUA.

Amostragem 1:

“Puta merda que imbecilidade, espero que entrem em algum acordo…”

“pqp, vou ter que começar a importar do ebay até comida, pqp ta foda mesmo. Agora que eu vi vai subir também o II pra relogio que é caro pra caralho no brasil. E pra carro de 35 pra 50% . viva a fronteira.”

“Que coisa doente, eu fico é feliz com o subsídio que os EUA dão pro algodão. Afinal é o povo americano que está pagando pro algodão ser mais barato pra gente aqui.”

“Vamos ver até onde esse país de Comunistas onde eu vivo vai aguentar… Quero ver quando isso aqui se tornar uma Venezuela…Vamo fazer fila pra compra um pacote de salsicha podre!”

“Porra, acho muita sacanagem quando fecham o mercado para produtos que num são produzidos por aqui… Onde vou arrumar oculos de sol com lente decente agora????”

Amostragem 2:

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10/03/2010

O Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Milão, 1978. Vinicius, Toquinho, Miúcha e Jobim em um fabuloso encontro. É verdade que Vinicius já estava velho, próximo de morrer. Mas, foi daqueles dias em que o poeta e ex-diplomata era o branco mais preto do Brasil.

Xangô me mandou lhe dizer, se é canto de Ossanha não vá…

10/03/2010

O tamanho do saque pode explicar o tamanho da guerra.

O almoço, de Jean-Baptiste Debret

Apenas 10% da população brasileira ganha mais de cinco salários mínimos por mês. Ou seja, mais que R$ 2.500,00, algo em torno de € 900,00.  A concentração de rendas é brutal, a maior do continente americano, tomando-se em conta os países com estatísticas minimamente confiáveis.

Nos últimos anos, esses níveis de concentração reduziram-se um pouco, o suficiente para que classes afastadas do consumo se entregassem a ele, sofregamente, adquirindo uma série de objetos a crédito. Isso satisfaz a vendedores e compradores, diminui os efeitos das crises financeiras no Brasil e cria fantasmas para certas porções das classes mais elevadas. Têm medo, como tinham-no os chefes do catolicismo formal diante de qualquer manifestação de religiosidade mística popular.

Os créditos da pouca redução de desigualdades verificada recentemente são dos dois governos sucessivos do Presidente Lula. Isso não é uma opinião e não vou aqui alinhar tábuas de números e gráficos a demonstra-lo. Acho que foi muito pouco, mas sempre melhor que nada. Há muito mais desigualdade a se reduzir, para além das simplesmente econômicas.

Não é demais lembrar que as desigualdades sociais brasileiras são nitidamente desproporcionais às desigualdades de aptidões que podem existir, potencial e faticamente, entre as pessoas. Desigual, na raiz, é a herança, ou seja, a inércia do conservantismo. O legado da dominação, esse é bastante desigual.

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09/03/2010

A imprensa brasileira tradicional mente por razões políticas.

Não há escândalo na constatação de que o discurso de jornais e televisões tem lado, politicamente. A imprensa não é ideologicamente inerte, nem imparcial ante os fatos e suas repercussões econômicas e políticas. Com efeito, somente os ingênuos ou mal-intencionados vivem a esperar dos media o lugar-comum chamado imparcialidade.

Não obstante a total normalidade que há na parcialidade política da imprensa, esse jogo tem algumas regras não escritas. Essas regras implicam, em resumo, que opiniões são de quem as emite, mas fatos, esses convém dá-los ou escondê-los, nunca inventá-los.

Hoje, no Brasil, violam-se esses e outros preceitos farta e abertamente. Não apenas inventa-se o que não há, como dão-se opiniões inseridas na aparente cobertura de fatos. Não digo – outro lugar-comum – que a imprensa perca a credibilidade, até porque só se perde o que já se teve. Digo que ela precisa assumir-se outra coisa que não imprensa e aqui estou claramente seguindo o que disse o Presidente Obama da Fox News: é um partido político.

O fundamental em qualquer discurso mediático não é a credibilidade do que afirma, mas o nível com que o faz. A credibilidade é uma qualidade que se insere e se torna parâmetro de atuação e reação no discurso de matriz religiosa ou no âmbito da honorabilidade subjetiva. A oferta de notícias não gira em torno a isso. Basta vermos a coisa com algum rigor metodológico.

Um sismo, por exemplo, não é crível ou incrível, ele é um evento da natureza. Ninguém é convidado a acreditar ou não na sua ocorrência, que isso não é problema das placas tectónicas ou da notícia, mas de quem a recebe. Uma eleição, que não é evento natural, obedece à mesma lógica. O receptor pode desacreditar de muitos aspectos que giram em torno dela, mas ela, essa pode somente haver ou não haver.

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08/03/2010

A patifaria americana e Hugo Chávez.

Este é o documentário “A revolução não será televisionada” filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain. O vídeo mostra os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela.

Vale muito a pena assisti-lo. Só posso afirmar que o PIG venezuelano é perigoso, bem perigoso.

Olívia Maria

08/03/2010

A cidade não pára…

Exatamente 1 ano atrás, um dos únicos dias em que me perdi em Salamanca… Infelizmente não estava sozinho nesse dia!

Em compensação, foi o dia que ficou na lembrança de todos… Dos males o menor, fica a saudade…

=)

Perdidos em Salamanca

Perdidos em Salamanca

Comentário antecipado de Andrei: 1 hora depois da foto, a temperatura deve ter aumentado uns 5 ou 6 graus, e todos estavam muito satisfeitos comigo!
=)

Severiano Miranda.

08/03/2010

Dia internacional da mulher para homens e mulheres.

“A igualdade das mulheres e das jovens constitui também um imperativo econômico e social. Enquanto não se conseguir libertar as mulheres e as jovens da pobreza e da injustiça, todos os nossos objetivos – a paz, a segurança, o desenvolvimento sustentado – correrão perigo.”

A frase é de Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU.

Neste 08 de março nos lembremos, todos, das mulheres que ainda são coisificadas, exploradas, discriminadas, humilhadas,  assassinadas, agredidas, violadas, mutiladas, vendidas,  castigadas, usadas como arma de guerra, submissas e oprimidas. Discriminação contra mulheres não é assunto só nosso, e sim de homens e mulheres. A consciência não tem gênero.

Segue um vídeo interessante com depoimentos de mulheres de diversos países falando sobre suas vidas:

Olívia Maria.

08/03/2010

Gracias a la vida, por Mercedes Sosa.

Não há muito que falar da canção, que ela já diz e soa bastante. Pensava como era e é complicado qualquer pouca de mestiçagem, no mundo dominado por imaginário de pureza étnica. Mercedes Sosa, de nítidos traços indígenas era La Negra.

E reparava como ela pronunciava como os chilenos, peruanos e equatorianos. Quem já falou com argentinos de Buenos Aires compreenderá o que digo.